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Novas tecnologias e a gestão de ativos no futuro

A gestão de ativos tradicional, como lançada em 2014 na ISO 55001, não será suficiente para capacitar as instituições para esta transformação

Nos últimos anos muito se ouviu falar da Indústria 4.0 como uma revolução que possibilitaria processos industriais mais eficientes e adaptáveis, alicerçados na inovação. O que normalmente é deixado de lado nesta questão envolve o crescimento da dependência energética que a inovação traz, à medida que novas tecnologias disruptivas são gradativamente inseridas até serem predominantes.

A utilização intensiva de energia no mundo impulsiona todo o setor elétrico a inovar e expandir com a geração energética limpa e renovável, mas com desafios que já iniciam com os chamados “prosumers”, ou seja, o consumidor que atua ao mesmo tempo como produtor e consumidor e outros agentes que surgem à medida em que a digitalização, descentralização, descarbonização e democratização da energia – os denominados 4 Ds do setor elétrico – tornam-se realidade.

Construções inteligentes e conectadas, veículos elétricos e autônomos, robótica, comunicação M2M, machine learning, realidade aumentada e outras diversas previsões futurísticas finalmente tornaram-se realidades e demandam das empresas de energia uma resposta rápida para questões antigas do mercado em termos de qualidade, confiabilidade e disponibilidade de seus ativos, para que o sistema possa suprir o uso massivo da energia elétrica gerada por fontes 100% renováveis.

Como responder a estas demandas sem avaliar custos, riscos e desempenho do sistema elétrico, que se torna mais complexo e em uma velocidade que mal conseguimos acompanhar? É neste contexto que a gestão de ativos surge como a metodologia capaz de criar a sustentabilidade dos negócios que as companhias tanto buscam como resposta às expectativas destes novos clientes.

A gestão de ativos tradicional, como lançada em 2014 na ISO 55001, não será suficiente para capacitar as instituições para esta transformação. Será necessária a gestão inovadora dos ativos, agregando inteligência artificial com cloud computing e ainda trazer modelos matemáticos ou o uso de digital twins, que representa a realidade que vamos encontrar em termos de tipologia de cargas, transientes, fluxos de potência e conexões demandantes de uma agilidade infinita nas tomadas de decisões. Isso sem contar com as mudanças climáticas, que expõem linhas e equipamentos em situações adversas e sujeitas a catástrofes nunca antes imagináveis, exigindo um sistema elétrico mais robusto e capaz de se manter, garantindo o fornecimento de energia para que não haja danos maiores à nossa sociedade.

Alicerçada no tripé Pessoas, Processos e Tecnologia, a gestão inovadora dos ativos deverá ser construída, a partir de agora, por meio dos ciclos de vida técnico e econômico assim como do novo ciclo de vida da informação, que fará a diferença nos resultados das empresas que aderirem agora à gestão de ativos sob esta nova ótica.

Marisa Zampolli é diretora executiva da MM Soluções Integradas, engenheira elétrica com MBA em Administração e pós-graduação em Qualidade e Produtividade

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