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Opinião

Na energia, o branco também é verde

O hidrogênio branco é produzido pela gasificação de resíduos de plástico, biomassa e rejeitos de carvão, e o hidrogênio verde tem muito menos impacto econômico e social que os hidrogênios limpos (azul, rosa e branco) devido ao tamanho da cadeia de produção

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No mundo do hidrogênio, energia da moda hoje, existem muitas cores. Se fala em cores como cinza, preto, azul, rosa e turquesa e o mais conhecido, o verde.

Todas as formas de hidrogênio têm os pros e os contras. O “cinza” tem no seu baixo custo o ponto forte e na alta emissão de gases de efeito estufa seu ponto fraco. O “azul”, oriundo dos combustíveis fósseis (gás e carvão), tem um baixo custo mesmo com a captura de CO2, mas ainda precisa que a indústria do CO2 se crie. O “rosa” vem de uma fonte que tem um enorme estigma ambiental, que é a fonte nuclear. O “verde”, mais falado, por ser de fontes renováveis, tem como ponto forte a baixa emissão de CO2, mas como fraqueza tem um custo elevado, que chega a ser três vezes maior que o “azul”. O “verde” tem um forte apelo comercial pela inserção midiática feita pelo maior interessado em vender a tecnologia de produção que é a Alemanha.

Mas tem uma cor que não é citada na mídia e nos documentos sobre essa fonte energética: o “branco”. Este tipo de hidrogênio produzido pela gasificação de resíduos de plástico, biomassa e rejeitos de carvão. Trata-se de uma cor de classificação do hidrogênio que tem como ponto forte o uso de resíduos, ligada a conceitos de economia circular de manejo de carbono, visto que o CO2, pode ser capturado e/ou produzir metanol, energia importante para reduzir as emissões da indústria marítima.

Com o uso de resíduos, além de visar a descarbonização do mundo, procura-se impulsionar a economia circular. Não interessa a cor, na realidade o que queremos é fazer uma produção de hidrogênio limpo. O conceito de descabonizar com o uso de combustíveis que contêm carbono é importante de ser citado pois, via tecnologia, pode-se manejar o carbono de forma sustentável, aliando uma maior geração de emprego e renda na cadeia produtiva.

Normalmente não se calcula o impacto na economia devido a forma de produção de energia. Na matriz de atributos de que uma fonte de energia tem, não se considera os seus efeitos econômicos e sociais, calculando os seus multiplicadores por emprego e renda. O hidrogênio verde tem muito menos impacto econômico e social que os hidrogênios limpos (azul, rosa e branco) devido ao tamanho da cadeia de produção. Nesse momento, vemos uma corrida tecnológica para viabilizar essa fonte de energia.

Nos USA, um programa de desenvolvimento tecnológico apoiado pelo Departamento de Energia, o National Energy Technology – NETL, está conduzindo uma série de pesquisas, financiando várias universidades e centros de pesquisa, com plantas piloto de gaseificação visando produzir o hidrogênio branco. Esse processo tem as empresas como parceiras. O conceito é desenvolver o processo de gaseificação de materiais de carbono de baixo valor (resíduos de carvão, biomassa e plástico), transformando em matérias de alto valor e baixo carbono.

Esse programa visa desenvolver gaseificadores modulares 5 a 50 MW que podem aproveitar esses resíduos de forma descentralizada e competitiva aproveitando o raio de transporte dos combustíveis (resíduos). Esse programa pode ser replicado no Brasil, pois temos indústrias que precisam de gás para sua operação. Gás natural é uma comoditie que mais que duplicou de preço no último ano devido à geopolítica internacional, algo que não aconteceria com o uso de combustíveis locais.

No sul de Santa Catarina, a indústria de carvão mineral já abasteceu a indústria cerâmica com gás sintético, algo que acabou com a vinda do Gasbol em 1994. Hoje, em Santa Catarina, indústrias não se instalam por falta de gás natural.

Com a necessidade de tornar carbono zero em 2050 a produção de produtos industriais, acreditamos que chegou a hora de buscarmos alternativas tecnológicas com parceiros internacionais para viabilizar a produção sustentável do hidrogênio.

O desenvolvimento tecnológico da gasificação é fundamental para a produção do hidrogênio via combustíveis sólidos. No Sul, temos uma reserva energética enorme com o carvão que associada a biomassa e a indústria de plástico pode gerar uma cadeia produtiva alinhada ao mundo de baixo carbono e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Não importa a cor, importa que possamos gerar e usar a energia para o bem da sociedade.

Fernando Zancan é presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM)


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