Gás natural e segurança energética: a prorrogação da concessão da Comgás traz investimentos, eficiência e competitividade para a economia paulista

Prorrogação do contrato da Comgás é essencial para estimular crescimento econômico de SP; é uma medida positiva para todo o setor de energia – a riqueza do Brasil é poder contar com diversidade de fontes

Em um momento de grave crise hídrica, debater o futuro da energia é mais premente do que nunca. Principalmente no Estado de São Paulo, que concentra mais de 120.000 estabelecimentos industriais, o que equivale a 25,6% do parque fabril do Brasil, de acordo com dados compilados pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Sozinho, São Paulo movimenta 30,8% do PIB. Energia é uma necessidade para um Estado com essa vocação produtiva.

No entanto, dados da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado (SIMA) mostram que São Paulo responde por 15% da geração elétrica brasileira. Isto representa uma capacidade instalada de 23 GW. Ainda de acordo com a SIMA, a produção anual do Estado gira em torno de 60 mil GWh, para uma demanda de 145 GWh. Com isso, 85 mil GWh são importados de outros estados.

Hoje, 65% da energia que São Paulo consome provém de fontes hidrelétricas. Já a energia termelétrica, proveniente de gás e biomassa, são responsáveis por pouco mais 25% da oferta. As termelétricas mais poluentes, aquelas que consomem óleo combustível e são consideradas mais caras, respondem por uma fatia de 10%.

Dada a conjuntura, o que isso significa?

Significa que o Estado precisa investir em sua segurança energética, com mais fontes de suprimento.

Como São Paulo está no centro da carga nacional, é estratégico ter agentes que possam garantir uma oferta adequada e com segurança. Não é um bom negócio para ninguém que a indústria seja penalizada.

Diante desses dois tópicos do cenário energético e industrial, vemos que o gás natural assume um papel estratégico para atender a demanda industrial. Ainda mais levando em conta o risco hidrelétrico e lembrando do fato de a indústria paulista ser uma das maiores consumidoras de gás do Brasil.

O estado é também um dos primeiros a ter uma concessionária privada de gás natural, a Comgás, que desde sua privatização vem apresentando um notável processo de evolução, com investimentos massivos em rede de distribuição, eficiência e segurança operacionais e novas tecnologias. Como qualquer indústria de rede, oferta e demanda caminham juntas. Diante das reservas de gás no quintal marítimo do Estado, a Bacia de Santos, fica fácil entender que esse gás só será explorado se os produtores tiverem certeza de que, na outra ponta, haverá quem queira consumi-lo.

Estamos agora diante do processo de prorrogação do contrato de concessão da Comgás. O período inicial do contrato venceria daqui a alguns anos, mas a antecipação, por ora em exame na agência reguladora, abre excelentes perspectivas de aumento de oferta de gás, considerando a capacidade da operadora de promover o crescimento do serviço. Há mais de 20 anos, a empresa tem cumprido o seu papel: atingindo com antecedência todas as metas de investimento, expansão na rede e aumento da base de clientes.

Vale lembrar que em nenhum outro Estado, dentre os mais industrializados, há uma rede de gás tão capilarizada. Isso já representa um diferencial para a indústria paulista em relação a outros estados que não contam com essa utilidade. E a perspectiva de ampliação da rede para outros 41 municípios, além da interconexão com as redes da GasBrasiliano e Naturgy, permite que o setor produtivo tenha um impulso – seja para as indústrias e comércios que ainda não contam com essa fonte energética, mas para outras que pensem em instalar novas plantas em cidades com IDH alto como as paulistas.

A prorrogação do contrato de concessão da Comgás, portanto, é essencial para estimular o crescimento econômico de São Paulo. É uma medida positiva para todo o setor de energia – a riqueza do Brasil é poder contar com diversidade de fontes. A arte de gerir o sistema é saber combiná-las de forma harmônica, de modo a garantir a segurança energética que o Brasil tanto exige.

Antecipar o processo é oportuno. Primeiro, porque mantém um operador experiente, com indicadores de segurança e eficiência operacional incontestável. Além disso, a renovação também dá segurança jurídica para os investimentos.

É o famoso jogo de ganha-ganha.

Carlos Eduardo Moreira Ferreira é presidente do Sindicato da Indústria da Energia no Estado de São Paulo (SindiEnergia)

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