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Opinião

COP28: compromisso de triplicar a capacidade global de energia renovável até 2030

É essencial equilibrar fontes intermitentes e investir na expansão da geração hidrelétrica para garantir segurança e confiabilidade ao sistema elétrico

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O Brasil e o mundo estiveram presentes nas negociações da 28° Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), que convoca os países a uma “transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas de energia, de maneira justa, ordenada e equitativa, acelerando ações nesta década crucial, a fim de atingir emissões líquidas zero até 2050, em conformidade com a ciência”, segundo documento final da conferência.

Do ponto de vista do setor de energia, um avanço importante é o compromisso de triplicar a capacidade global de energia renovável até 2030. O comprometimento de 130 países em aumentar para pelo menos 11.000 GW a produção mundial de energia e duplicar a eficiência energética dá um forte impulso no processo de descarbonização.

Isto abre um olhar importante para as hidrelétricas, porque esta meta não poderá ser alcançada sem a escala e a flexibilidade operativa que esta fonte proporciona no suporte ao uso de energias de outras fontes, como a eólica e solar. Governos, órgãos reguladores e agentes financiadores têm o desafio de implementar e flexibilizar as condições necessárias que possibilitem políticas públicas adequadas para assegurar os investimentos necessários.

O setor hidrelétrico, no âmbito mundial, nas palavras de Eddie Rich, CEO da International Hydropower Association (IHA): “Embora o resultado geral da COP28 seja misto, a comunidade hidrelétrica sustentável saúda o compromisso que os líderes mundiais assumiram sobre o futuro das energias renováveis. Triplicar a implantação de energias renováveis sem recorrer aos combustíveis fósseis exigirá a flexibilidade e o armazenamento que só a energia hidrelétrica pode trazer em escala. Encontrar modelos que incentivem a energia hidrelétrica sustentável requer vontade e ação política. Água, vento e sol fazem o trabalho!”.

A Abragel, que tem uma atuação focada no segmento de centrais hidrelétricas autorizadas até 50MW, vê boas perspectivas nesse compromisso mundial. O Brasil, com seu enorme potencial de recursos naturais para geração de energia limpa e renovável, lidera na produção de energia sustentável, mas é essencial equilibrar fontes intermitentes e investir na expansão da geração hidrelétrica para garantir segurança e confiabilidade ao sistema elétrico.

Nosso país possui um potencial inexplorado em centrais hidrelétricas de pequeno porte, que estão distribuídas por diversas regiões. A implantação desses projetos otimiza o sistema de transmissão, reduz perdas e traz impactos positivos na economia pela sua capacidade de geração de empregos e renda em vista da cadeia produtiva ser 100% nacional.

No contexto socioeconômico, a implantação das usinas é responsável por melhorar a qualidade de vida das comunidades onde estes empreendimentos se localizam, melhorando o IDH, os índices de renda per capita e reduzindo as desigualdades.

Soma-se a isso a preservação ambiental. O Instituto Água e Terra (IAT), órgão licenciador do Paraná, realizou um levantamento recente mostrando que entre 2014 e 2022, foram licenciadas cerca de 89 centrais hidrelétricas naquele estado. Para a viabilização destes empreendimentos foi necessária a supressão florestal de 951 hectares.

Estes mesmos empreendimentos garantiram a recomposição florestal de 3.119 hectares, ou seja, uma área três vezes superior ao que foi suprimido. Adicionalmente, em diversos projetos, além da recomposição da APP, existe ainda uma preocupação na recuperação e proteção nas nascentes, garantindo com isto o aumento da qualidade e da quantidade dos recursos hídricos na bacia.

De acordo com a IHA, a utilização da hidroeletricidade substituindo a geração de eletricidade através de combustíveis fósseis ajudou a evitar a emissão de mais de 100 bilhões de toneladas de CO2 durante os últimos 50 anos, destacando que o quinto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) declarou que a hidroeletricidade tem uma média de 24 gCO2-eq/kwh, que é a quantidade de gramas de CO2 equivalentes por kilowatt-hora de eletricidade gerada através da sua vida útil.

Para efeito de comparação, o número médio para geração utilizando gás é 490 gCO2-eq/kwh, solar é 48 gCO2-eq/kwh, eólica e nuclear estão na faixa de 12 gCO2-eq/kwh.

Por essas razões, nós, da Abragel, continuamos firmes no propósito de apoiar as políticas públicas que promovam a implantação de centrais hidrelétricas autorizadas até 50MW impulsionando a pauta verde do País e gerando empregos e renda em nosso país.

Promover a energia perene, renovável e sustentável para o Brasil – esse é o nosso propósito.

Charles Lenzi é presidente-executivo da Abragel (Associação Brasileira de Energia Limpa)


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